Redes

Allan Kardec

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


Por que as pessoas

usam drogas

Os motivos são vários: curiosidade, insegurança, tédio, medo, timidez, frustrações, insatisfações, auto-afirmação, fuga de problemas, crença de que as drogas aumentam a criatividade, pressão de grupo, etc. A lista é longa. Do ponto de vista histórico, o uso de drogas era associado a aspectos religiosos, culturais, medicinais, místicos e até como forma de buscar a transcendência espiritual, pela alteração do estado de consciência. Tratava-se, porém, de consumo restrito a grupos fechados, diferentemente do caráter disseminador da atualidade. A conhecida professora de farmacologia da Escola de Medicina do Alabama, Estados Unidos, doutora Gesina Longenecker, analisa que o indivíduo que alimenta o vício dos semelhantes é outro fator de extrema relevância no uso de substâncias psicoativas: “o processo da descoberta e distribuição começou a partir de homens comuns que se especializaram no assunto das drogas, alcançando posições de poder e influência ao usar e guardar o seu conhecimento: tornaram-se curandeiros, padres e políticos. Tais poderes garantiram-lhes uma elevada posição social”.1 Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o uso de drogas é fenômeno de ocorrência mundial, um preocupante problema de saúde pública, cuja gravidade varia de região para região, mas afeta praticamente todas as nações do Planeta: 75% dos países enfrentam problemas com o consumo da droga. Em termos mundiais, as projeções estatísticas indicam que cerca de 200 milhões de pessoas – algo em torno de 5% da população entre 15 e 64 anos – usam drogas ilícitas pelo menos uma vez por ano; metade deles usa drogas regularmente uma vez por mês. Recente relatório da ONU, o de setembro do corrente ano, informa que 4% da população mundial, situada na faixa etária de 15-64 anos, usa cannabis (maconha), enquanto 1% é usuário de estimulantes do grupo das anfetaminas, da cocaína e dos opiáceos. O uso de heroína é também grave problema mundial.2 Compreende-se que não sucumbir às tentações, presentes no mundo atual, é tarefa de grande envergadura.Um desafio que afeta, em especial, os indivíduos que não tiveram boa formação moral ou os adolescentes, que se encontram numa fase de fácil influenciação. A Doutrina Espírita esclarece, porém, que Deus permite as tentações com o objetivo de desenvolver a razão e preservar o homem dos excessos.3 Estudo realizado por docentes da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, em 2006, em que foram entrevistados 568 adolescentes do ensino médio com a finalidade de identificar os motivos que levam o jovem ao primeiro contato com a droga, conclui: “Verificou-se que a curiosidade foi o motivo principal apontado para o uso de drogas pela primeira vez e que os responsáveis pelo início do consumo dessas substâncias pelos adolescentes foram os amigos”.4 Os dados apresentados na publicação oferecem importantes subsídios para o planejamento de estratégias preventivas no controle do consumo de drogas na adolescência, cujas conclusões contestam as idéias de senso comum, que associam o uso de substâncias psicoativas à pobreza, a “lares desfeitos” e às “más companhias”. O controle social eficiente do problema, segundo posição unânime de especialistas e estudiosos, tem como base: a) suprir a população de informações corretas sobre as drogas, seus mecanismos de ação, efeitos no organismo e formas de prevenção; b) estabelecer parcerias sociais que, efetivamente, desenvolvam trabalhos de prevenção ao vício e/ou de recuperação do viciado. Nesta situação, o trabalho desenvolvido nas casas espíritas, junto às crianças, jovens e adultos, por ser de caráter orientador e humanitário, ocupa posição de relevância na sociedade. Os motivos aqui apresentados, relativos aos “porquês” do uso de drogas estão todos subordinados à imperfeição humana. Imperfeição que prioriza uma vivência hedonista, onde a busca pelo prazer é equivocadamente considerada o bem supremo. A propósito, avalia Joanna de Ângelis: O […] homem moderno deixou- se engolfar pela comodidade e prazer, deparando, inesperadamente, o vazio interior que lhe resulta amargas decepções, após as secundárias conquistas externas. Acostumado às sensações fortes, passou a experimentar dificuldades para adaptar-se às sutilezas da percepção psíquica, do que resultariam aquisições relevantes promotoras da plenitude íntima e realização transcendente.5 Não desconhecemos, contudo, a existência de inúmeras criaturas que renascem em ambientes viciosos e que não se deixam arrastar pelo vício; ou de tantas outras que experimentam drogas e as rejeitam. O que faz essas pessoas serem diferentes das demais? A resposta pode ser resumida nestas duas ordens de idéias: tendências instintivas e educação familiar. As tendências que marcam a personalidade do ser humano encontram em Allan Kardec as seguintes explicações: Ao nascer, traz o homem consigo o que adquiriu, nasce qual se fez; em cada existência, tem um novo ponto de partida. [...] se se vê punido, é que praticou o mal. Suas atuais tendências más indicam o que lhe resta a corrigir em si próprio e é nisso que deve concentrar- -se toda a sua atenção,porquanto, daquilo de que se haja corrigido completamente, nenhum traço mais conservará.As boas resoluções que tomou são a voz da consciência, advertindo-o do que é bem e do que é mal e dando-lhe forças para resistir às tentações.6 A orientação familiar que valoriza a educação moral, educação “que consiste na arte de formar caracteres [...]”7 previne os muitos males, criando obstáculos à curiosidade, tão comum nos jovens, de experimentar substâncias psicoativas. Da mesma forma, o adulto que edificou o caráter em bases sólidas, da moral e da ética, dificilmente faz uso de drogas, ainda que se encontre sob o peso das provações e dos testemunhos. Isto nos faz recordar Emmanuel, que nos exorta coragem perante as tentações que nos assaltam a existência: Vigiai na luta comum. Permanecei firmes na fé, ante a tempestade. Portai-vos varonilmente em todos os lances difíceis. Sede fortes na dor, para guardar-lhe a lição de luz.8

Referências:

1LONGENECKER, Gesina. Como agem as drogas – abuso das drogas e o corpo humano. Tradução de Dinah Kleve. São Paulo: Quark Books, 1998. Cap. 1, p. 5.

2Organização das Nações Unidas (ONU).

Programa de prevenção às drogas e HIV/ /AIDS. Brasília: Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC). Setembro de 2007.

3KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução

de Guillon Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Questões 712 e 712-a.

4PRATTA, Elisângela Maria Machado; SANTOS,

Manoel Antonio. Levantamento dos motivos e dos responsáveis pelo primeiro contato de adolescentes do ensino médio com substâncias psicoativas. Revista Electrónica de Salud Mental, Alcohol y Drogas. Universidad Autónoma del Estado de México, año 2, n. 2, 2006.

5FRANCO, Divaldo P. Após a tempestade...

Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador:

LEAL, 1974. Cap. 8, p. 49.

6KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 126. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 5, item 11, p. 114.

7______. O livro dos espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007. Questão 685-a. 8XAVIER, Francisco C. Fonte viva. Pelo Espírito Emmanuel. 34. ed. Rio de Janeiro:

FEB, 2006. Cap. 90, p. 233.

HORAS

TOTAL DE VISITAS