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Allan Kardec

domingo, 31 de outubro de 2010

As várias faces da ansiedade

Escrito por Dr. Luiz Antonio de Paiva   
     Freud, o grande pesquisador da mente humana, já deduzira a mesma coisa ao afirmar: “O problema da ansiedade é um ponto de junção, ligando todas as espécies de questões mais importantes; um enigma, cuja solução deve inundar de luz toda a nossa vida mental.” No nosso inelutável enfrentamento com o desconforto da ansiedade, pois ela é inerente à vida, é que está a raiz dos nossos problemas.            Frequentemente adotamos atitudes disfuncionais, como tentar esconder a ansiedade ou negá-la, deslocá-la de objeto e outros mecanismos de defesa. Não raro, ela é a causa oculta dos transtornos alimentares, das dependências químicas, das atitudes auto-sabotadoras, como também é responsável pela busca de alívio em atividades como o jogo patológico, comprar compulsivamente, sexo compulsivo e até mesmo o trabalho excessivo que é a fuga mais bem aceita socialmente. Desta forma, acostumamo-nos a sempre ver a ansiedade como uma coisa negativa, um erro evolucionário.
     Entretanto, a ansiedade é imprescindível a nossa sobrevivência e crescimento, sendo responsável pelas grandes conquistas da civilização humana. Assim, temos duas faces da ansiedade que são naturais e legítimas, como a ansiedade natural e a ansiedade existencial, esta ligada à consciência da nossa própria mortalidade e aos questionamentos filosóficos e religiosos que fazemos com relação à razão e propósito da vida. A outra face, por vezes distorcida e hedionda, é a da ansiedade patológica ou neurótica, pois geradora de sofrimentos físicos e mentais de monta.
     A ansiedade natural origina-se da nossa consciência de sermos seres vulneráveis num mundo potencialmente ameaçador à nossa integridade e bem-estar. Ela é adequada e proporcional à situação que enfrentamos, e desaparece tão logo o objeto ou situação que a motivou é reconhecido e tratado. Na vida pós-moderna, é muito fácil a transformação da ansiedade natural em neurótica ou patológica. A dura realidade que enfrentamos implica num estresse que às vezes não é possível suportar. Enfrentamos a tensão de ganhar a vida num contexto extremamente competitivo, dentro de uma economia globalizada, em rápida mudança tecnológica e mesmo em suas regras e parâmetros. Criamos nossos filhos numa sociedade exigente, regida por valores consumistas e individualistas, que tendem a separar as famílias.
     A ansiedade neurótica provoca-nos um estado generalizado de alerta, em que reagimos desproporcionalmente à percepção de uma ameaça real ou imaginária ao nosso bem-estar. Suas formas mais brandas, a que damos o nome de estresse, tensão e preocupação, causam-nos irritabilidade, agitação e mal estar físico. Se estabelecida cronicamente, leva a uma hiperativação do sistema nervoso que costuma provocar estados de esgotamento e depressão. Em casos mais graves provoca sintomas físicos agudos e ataques de pânico, quando a pessoa, em intenso sofrimento, tem a sensação de que vai morrer ou ficar louca.
     A ansiedade existencial ou espiritual é pouco falada, mas não é menos real. Não raro, se ignorada e varrida para debaixo do tapete, transforma-se em formas graves de ansiedade patológica. Esta face mais sutil e profunda da ansiedade estimulou o ser humano a adentrar mais decisivamente o terreno da filosofia, da ética e da religião.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

E Jesus, vota em quem?


Eram três da manhã. Depois de ter visto o programa eleitoral Mário acordou assustado e ofegante. Conceição, sua esposa, vendo a movimentação do marido perguntou:
- O que foi Mário, que inquietação é essa?
- Ceiça, depois que eu vi o programa eleitoral ontem eu fiquei me perguntando qual seria o candidato de Deus, afinal todos dizem que são cristãos, que Deus os abençoa, então fiquei em dúvida.
- E daí, por que tu acordou essa hora?
- É que eu sonhei com Jesus e conversei com ele sobre isso. Vê como foi interessante. Quando eu o encontrei Ele olhou serenamente para mim e perguntou:
- Mário o que te aflige?
- Jesus, como o Senhor deve saber estamos em campanha política e os candidatos ficam todos dizendo que são cristãos, que Deus está do lado deles... mas afinal de contas, quem está certo?
- Mário, muitos dirão Senhor , Senhor e Eu não os reconhecerei.
- Mas tem um monte de representantes das Tuas igrejas apoiando os candidatos de ambos os lados, afinal quem está certo? Quem luta pelos teus interesses?
- Meu filho, meu reino não é deste mundo.
- Mas, como saber qual está certo?
- Conhece-se a árvore pelos frutos que dá. Uma árvore má não pode dar bons frutos.
- Foram eleitos tantos candidatos de caráter duvidoso... Por que isto acontece?
- O sol nasce para justos e injustos.
- Pois é! Às vezes eu tenho a sensação que ele nasce mais para os injustos. Esses políticos, por exemplo, têm tantos privilégios, tantas regalias depois de eleitos, que só voltam a buscar o povo 4 anos depois, já o Senhor que tanto amor nos deu, sofreu tanto, por que?
- Eu não vim para ser servido, eu vim para servir.
- Jesus, por que eles mudam tanto com o poder? O que será deles depois?
- Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado.
- Sabe Jesus, outra coisa que acho estranho nos candidatos é que eles falam muito mal uns dos outros.
- Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem.
 - Jesus, nesse clima de campanha se alguém fizer isso vão dizer que tem duas caras. Vão pedir pra saír de cima do muro e decidir de que lado tá.
- Filho, bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus!
- Mas, Jesus, o Senhor acredita que muitos desses partidários às vezes chegam à agressão física?
- Todos os que pegam a espada pela espada perecerão.
- Falando assim Jesus, eu tenho a sensação de que o senhor não se envolve mesmo em política, estou certo?
- Meu filho, dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
- Então se são homens e mulheres, a maioria tão comprometidos, em quem devo depositar minhas esperanças?
- Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve.
- E agora Mário, você vai votar em quem?
- Ceiça! Eu não sei mais. E você? Sim você que está lendo este artigo, vai votar em quem?

Por  Rossandro Klinjey

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

SOLIDÃO - TRATAMENTO (PARTE-3)


Existem muitas formas diferentes para tratar a solidão, o isolamento social e a depressão. O primeiro passo, e o mais frequentemente recomendado, é a terapia. A terapia é um método comum e efetivo de se tratar a solidão, e geralmente é bem-sucedido. Terapias curtas, o tipo mais comum, geralmente se estendem por 10 a 20 semanas. Durante a terapia, enfatiza-se a compreensão da causa do problema; reverter os pensamentos, sentimentos e atitudes negativas resultantes do problema; e explorar as formas de melhora do paciente. Alguns especialistas recomendam a terapia em grupo como uma forma de se conectar a outras pessoas que passam pelo mesmo sofrimento e estabelecer assim um sistema de apoio.[5] Especialistas frequentemente prescrevem antidepressivos como tratamento ou em conjunto com a terapia. Geralmente ocorrem algumas tentativas de combinações de drogas até que uma combinação mais adequada seja encontrada para o paciente — essa combinação é encontrada pelo método da tentativa-e-erro. Alguns pacientes podem desenvolver uma resistência a certos tipos de medicação e necessitar de uma mudança periodicamente.[6]
Abordagens alternativas são sugeridas por alguns especialistas. Tais tratamentos incluem exercícios físicos, dieta, hipnose, choques elétricos, acupuntura, fitoterapia, entre outros. Muitos pacientes relatam que a participação em tais atividades aliviaram os sintomas relacionados à depressão, total ou parcialmente.[7] Um outro tratamento, tanto para depressão quanto para a solidão, é a terapia de animais de estimação, ou terapia através da presença de animais de companhia, como cachorros, gatos, coelhos e até mesmo porquinhos-da-índia. De acordo com a agência Centers for Disease Control and Prevention, existem vários benefícios associados aos animais de estimação. Além de atenuar a sensação de solidão (mesmo porque isto pode também levar à socialização com outros donos de animais semelhantes), ter um animal de estimação diminui a ansiedade e, consequentemente, os níveis de stress no organismo.[8]


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Solidão - Causas Comuns (parte-2)


As pessoas podem sentir solidão por muitas razões e muitos eventos da vida estão associados a ela. A falta de amizades durante a infância e adolescência ou a falta de pessoas interessantes podem desencadear não só a solidão, mas também a depressão e o celibato involuntário. Ao mesmo tempo, a solidão pode ser um sintoma de um outro problema social ou psicológico, que deveria ser tratado.
Muitas pessoas passam pela experiência da solidão pela primeira vez quando são deixadas sozinhas quando crianças. É um pensamento muito comum, embora temporário, em consequência de um divórcio ou a perda de algum relacionamento afetivo de longa duração. Nesses casos, a solidão pode ocorrer tanto por causa da perda do outro indivíduo quanto pelo afastamento do círculo social do qual ambos faziam parte, causado pela tristeza associada ao evento.
A perda de alguém significativo na vida de uma pessoa tipicamente provoca um período de lamentação, onde o indivíduo sente-se sozinho mesmo na presença de outros. A solidão pode ocorrer também após o nascimento de uma criança, um casamento ou outro evento socialmente disruptivo, como a mudança de um estudante para um campus universitário. A solidão pode ocorrer dentro de um casamento ou relacionamentos íntimos similares quando há raiva, ressentimento ou quando o amor dado não é correspondido. Pode também representar uma disfunção de comunicação. Aprender a lidar com mudanças de estilos de vida é essencial para superar a solidão.

Na sociedade moderna
A solidão ocorre com frequência em cidades densamente populosas; nestas cidades muitas pessoas podem se sentir totalmente sozinhas e deslocadas, mesmo quando rodeadas de pessoas. Elas sentem a falta de uma comunidade identificável numa multidão anônima. É incerto se a solidão é uma condição agravada pela alta densidade populacional ou se é uma condição humana trazida à tona por tal estrutura social. De fato a solidão ocorre mesmo em populações menores e menos densas, mas a quantidade de pessoas aleatórias que entram em contato com o indivíduo diariamente numa cidade grande pode levantar barreiras de interação social, uma vez que não há profundidade nos relacionamentos, e isso pode levar à sensação de deslocamento e solidão. A quantidade de contatos não se traduz na qualidade dos contatos.[1]
A solidão parece ter se tornado particularmente prevalente nos tempos modernos. No começo do século XX as famílias, eram tipicamente maiores e mais estáveis, os divórcios eram raros e relativamente poucas pessoas viviam sozinhas. Hoje, há uma tendência de inversão desses valores: cerca de um quarto da população dos Estados Unidos vivia sozinha em 1998. Em 1995, 24 milhões de estadunidenses viviam sozinhos em casa; em 2010, estima-se que este número chegará a cerca de 31 milhões.[2]
Um estudo de 2006 da revista American Sociological Review descobriu que os estadunidenses tem, em média, dois amigos próximos com quem trocam confidências, abaixo da média de três encontrada numa pesquisa similar em 1985. O percentual de pessoas que declararam não ter amigos confidentes cresceu de 10 para quase 25%, e 19% adicionais disseram ter somente um único amigo confidente (geralmente o cônjuge), aumentando o sério risco de solidão no caso do fim de tal relacionamento.[3]

Como condição humana
A escola existencialista vê a solidão como essência do ser humano. Cada pessoa vem ao mundo sozinha, atravessa a vida como um ser em separado e, no final, morre sozinho. Aceitar o fato, lidar com isso e aprender como direcionar nossas próprias vidas de forma bela e satisfatória é a condição humana.[4] Alguns filósofos, como Jean-Paul Sartre, acreditaram numa solidão epistêmica, onde a solidão é parte fundamental da condição humana por causa do paradoxo entre o desejo consciente do homem de encontrar um significado dentro do isolamento e do vazio do universo. Entretanto, alguns existencialistas pensam o oposto: os indivíduos precisariam se engajar ativamente uns aos outros e formar o universo na medida em que se comunicam e criam, e a solidão é meramente o sentimento de estar fora desse processo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mediunidade e viagem astral


Escrito por Victor Rebelo   
O Espiritismo tem como base a análise científica dos fatos e o raciocínio lógico, ou “a fé raciocinada”. Não se resume aos fenômenos mediúnicos. Não podemos ficar presos apenas nas manifestações espíritas; precisamos conhecer, estudar e, mais ainda, vivenciar os ensinamentos contidos na codificação kardequiana e em outras obras.
Se não procurarmos conhecer a fundo os ensinamentos espíritas e apenas ficarmos admirados com os fenômenos, agiremos como um homem sedento que encontrou um copo de cristal cheio de água, mas morreu de sede por se demorar admirando a beleza do copo.
A mediunidade, trabalhada com princípios elevados e altruístas, é como um belo cristal a refletir a Sabedoria Divina. Os ensinamentos que os espíritos superiores nos transmitem é a água fresca que a humanidade tanto necessita para revigorar seu espírito sedento de Paz.
As experiências da alma no plano espiritual
Para que o espírito, a essência criadora, centelha divina sem forma, possa se manifestar no universo das energias, das mais densas às mais sutis, ele necessita de corpos.
O yoga, o Budismo, a Cabala, enfim, as mais antigas tradições espirituais têm classificado e ensinado como esses corpos atuam, cada um em seu plano específico, porém, sempre de forma integrada.
O número de corpos com que o espírito se manifesta pode variar de acordo com a doutrina. Mais recentemente, no século XIX, Allan Kardec, junto aos espíritos responsáveis pela codificação, classificou o homem como um ser composto, resumidamente, de: espírito, perispírito e corpo. O perispírito seria um corpo energético, sutil, que faz a ligação do espírito com o corpo físico. Conforme O Livro dos Espíritos, o perispírito vai se sutilizando, se eterizando conforme a evolução do espírito. Existe ainda o duplo etérico (campo bioelétrico), resultado do metabolismo energético do corpo físico, que se dissolve após a morte deste.
As experiências fora do corpo
A projeção da consciência através do corpo astral (perispírito) para fora do corpo físico é algo natural. Não tem nada a ver com mediunidade. Quase todas as noites nos projetamos, porém, o cérebro apresenta dificuldades para decodificar e registrar lembramças de eventos de quando a consciência está fora do corpo. Por isso, confundimos certas viagens astrais com sonhos.
Com o estudo profundo e a autoconcientização torna-se cada vez mais fácil a lembrança dos eventos projetivos.
Mas qual seria a utilidade disso tudo?
Primeiro: aprendermos lições valiosas, não apenas por meio de livros, mas de forma prática, sobre a vida nos planos mais sutis.
Segundo: podermos ser úteis aos nossos semelhantes de forma mais eficaz, doando nosso amor em trabalhos de assistência extrafísica, servindo aos mentores espirituais como humildes auxiliares.
Portanto, a viagem astral e a vivência saudável da mediunidade requerem maturidade espiritual e amor ao próximo, caso contrário, será difícil a sintonia com os nossos espíritos benfeitores. Por isso, para nós, espíritas, “Fora da caridade não há salvação!”

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Solidão (Parte 1)


Solidão não é o mesmo que estar desacompanhado. Muitas pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo. Solitude é o estado de se estar sozinho e afastado das outras pessoas, e geralmente implica numa escolha consciente. A solidão não requer a falta de outras pessoas e geralmente é sentida mesmo em lugares densamente ocupados. Pode ser descrita como a falta de identificação, compreensão ou compaixão.

Em seu crescimento como indivíduo, o ser humano começa um processo de separação ainda no nascimento, a partir do qual continua a ter uma independência crescente até a idade adulta. Desta forma, sentir-se sozinho pode ser uma emoção saudável e, de fato, a escolha de ficar sozinho durante um período de solitude pode ser enriquecedora. Para sentir solidão, entretanto, o indivíduo passa por um estado de profunda separação. Isto pode se manifestar em sentimentos de abandono, rejeição, depressão, insegurança, ansiedade, falta de esperança, inutilidade, insignificância e ressentimento. Se tais sentimentos são prolongados eles podem se tornar debilitantes e bloquear a capacidade do indivíduo de ter um estilo de vida e relacionamentos saudáveis. Se o indivíduo está convencido de que não pode ser amado, isto vai aumentar a experiência de sofrimento e o consequente distanciamento do contato social. A baixa auto-estima pode dar início à desconexão social que pode levar à solidão.
Em algumas pessoas, a solidão temporária ou prolongada pode levar a notáveis expressões artísticas e criativas como, por exemplo, Emily Dickinson. Isto não implica dizer que a solidão desencadeia criatividade, ela simplesmente foi, neste caso, uma influência no trabalho então realizado pelo artista.
"Então ser solidário é a melhor forma de se encontrar o equilíbrio e a felicidade".
(na parta 2, analizaremos as causas da solidão)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Divórcio e Espiritualidade


Escrito por Magaly Sonia Gonsalez   

O divórcio é uma prática muito antiga. No tempo de Moisés, era permitido ao marido repudiar qualquer uma de suas mulheres (a mulher era propriedade do marido) e lhe passar uma “carta de divórcio” por qualquer motivo.
Antes, o adultério da mulher era punido com a lapidação (apedrejamento) e Jesus queria evitar essa calamidade. Tal como Jesus, também achamos que o divórcio pode ser um recurso a ser acionado para se evitar um mal maior. Pode ser uma medida contra o suicídio, homicídio, agressões e outras desgraças. Apesar de não dever ser estimulado ou facilitado, às vezes deve ser usado como recurso, não como solução.
Houve uma época, aqui no Brasil, em que o divórcio foi tema de acirrada polêmica. Uma verdadeira disputa político-religiosa. De um lado os antidivorcistas e, de outro, os pró-divorcistas. O projeto tramitou no Congresso Nacional, cheio de “lobbies”, com ampla discussão, enorme repercussão e finalmente foi aprovado. Depois, regulamentado por lei, foi colocado em prática. Passou a ser fato consumado, sem despertar mais interesse para discussões. No entanto, o seu mérito e as repercussões familiares precisam continuar a ser enfocados.
Compromisso com a evolução
O casamento será sempre um instituto benemérito, acolhendo, no limiar, em flores de alegria e esperança, aqueles que a vida aguarda para o trabalho do seu próprio aperfeiçoamento e perpetuação. Com ele, o progresso ganha novos horizontes e a lei do renascimento atinge os fins para os quais se encaminha. Ocorre, entretanto, que a Sabedoria Divina jamais institui princípios de violência e o espírito, conquanto em muitas situações agrave os próprios débitos, dispõe da faculdade de interromper, recusar, modificar, discutir ou adiar, transitoriamente, o desempenho dos compromissos que abraça.
Em muitos lances da experiência, é a própria individualidade, na vida espiritual, antes da reencarnação, que assinala a si mesma o casamento difícil que enfrentará na vida física, chamando a si o parceiro ou a parceira de existência pretérita para os ajustes que lhe pacificarão a consciência, à vista de erros perpetrados em outras épocas. Reconduzida, porém, à ribalta terrestre e assumida a união esponsalícia que atraiu a si mesma, ei-la desencorajada à face das dificuldades que se lhe desdobram à frente. Por vezes, o companheiro ou a companheira voltam ao exercício da crueldade de outro tempo, seja através de menosprezo, desrespeito, violência ou deslealdade, e o cônjuge prejudicado nem sempre encontra recursos em si para se sobrepor aos processos de dilapidação moral de que é vítima.
Compelidos, muitas vezes, às últimas fronteiras da resistência, é natural que o esposo ou a esposa, relegado a sofrimento indébito, valha-se do divórcio por medida extrema contra o suicídio, o homicídio ou calamidades outras que complicariam ainda mais o seu destino. Nesses lances da experiência, surge a separação à maneira de bênção necessária e o cônjuge prejudicado encontra no tribunal da própria consciência o apoio moral da autoaprovação, para renovar o caminho que lhe diga respeito, acolhendo ou não nova companhia para a jornada humada.
É óbvio que não é lícito, de maneira nenhuma, estimular o divórcio em tempo algum, competindo a nós, encarnados, tão somente nesse sentido, reconfortar e reanimar os irmãos em luta nos casamentos de provação, a fim de que se sobreponham às próprias suscetibilidades e aflições, vencendo as duras etapas de regeneração ou expiação que pediram antes do renascimento no plano físico, em auxílio a si mesmos. Ainda assim, é justo reconhecer que a escravidão não vem de Deus e ninguém possui o direito de torturar ninguém, à face das leis eternas.
O divórcio, pois, baseado em razões justas, é providência humana e claramente compreensível nos processos de evolução pacífica.
Efetivamente, Jesus ensinou que “não separeis o que Deus juntou” e não nos cabe interferir na vida de cônjuge algum, no intuito de afastá-lo da obrigação a que se comprometeu. Ocorre porém que, se não nos cabe separar aqueles que as Leis de Deus reuniu para determinados fins, são eles mesmos, os amigos que se enlaçaram pelos vínculos do casamento, que desejam a separação entre si, tocando-nos unicamente a obrigação de respeitar-lhes a livre escolha, sem ferir-lhes a decisão.
Assim, devemos, antes de qualquer decisão precipitada, entender que no lar se cumpre a lei da reencarnação, como se fosse um filtro sagrado a depurar-nos das paixões em que nos enredamos em passado próximo ou remoto.
A Lei do Amor nos estimula. Se o casamento, contudo, revelar-se difícil, problemático, convém saber que tal situação decorre de nossas próprias necessidades evolutivas e é produto de nossa própria escolha.
Por vezes, contudo, o casal perde a coragem e o gosto pela vida a dois e, não raro, um ou ambos voltam a se ferir, seja na crueldade, na violência, no desespero ou na deslealdade. Quando tal situação se apresenta, é natural que um dos cônjuges recorra ao divórcio, para evitar outras consequências ainda mais comprometedoras e dolorosas.
Os filhos do casal, se houver, poderão sofrer. Contudo, se a criatura prejudicada pela guerra instalada no lar tiver a aprovação da própria consciência, nada impedirá que ela renove o seu caminho após o divórcio, buscando nova companhia.
Reflita, contudo, com muita prudência diante do casamento assaltado por dificuldades, para saber se, com um pouco mais de tolerância, um tanto mais de paciência, o casamento não poderia ser sustentado. Evite, se houver a separação, de utilizar os filhos do consórcio como armas contra o outro cônjuge, a fim de pervertê-los em seus sentimentos mais profundos.
Reexamine-se antes de tomar a decisão definitiva da separação, ponderando se a angústia e o sofrimento dentro do lar não são reflexos de nós mesmos.
Lembre-se de que a vida é, em essência, processo de evolução e, por isso, o lar não deve ser desfeito debaixo de nossos impulsos primários, de nossas queixas e lamentações.
Cada cônjuge é herdeiro de si mesmo. O lar é sempre um educandário.
Antes da separação, contra a qual não se opõem as Leis Divinas, reflita se o companheiro ou a companheira do lar não é a alma de que você mais necessita para se superar.

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 10.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A imprensa deve ser censurada


Em sua obra intitulada “A República”, Platão nos apresenta o mito da caverna. Nele o filósofo grego nos solicita um exercício de abstração no qual devemos imaginar uma caverna onde os seres humanos que alí vivem e se desenvolvem,estejam obrigados a olhar apenas para as sombras que são projetadas por um feixe de luz que vem do exterior da caverna. Para esses homens, essas sombras são um realidade inquestionável. Em algum momento um deles consegue sair da caverna e observar que as sombras são provocadas por outros homens e que a realidade é bem outra. Extasiado com o que vê, esse homem volta para informar a realidade para seus semelhantes que por não aceitarem, terminam por matar aquele que alcançou a lucidez de enxergar além da sombras.
A sociedade humana foi construída tanto pelos que insistem em enxergar as sombras, quanto pelos que desejam nos mostrar a realidade. Contudo, acreditar nas sombras faz parte de nossa zona de conforto,o que nos é conhecido e costumeiro, de forma que nos incomoda o discurso daqueles que querem nos fazer enxergar a luz. Todavia, se a sociedade avança é pelo esforço dos que, não obstante o preço que possam vir a pagar, não se eximem de seu papel de nos trazer a verdade.
Enxergar a luz é uma tarefa ainda mais difícil quando outros atores deste cenário, embora saibam da verdade, insistem em apregoar as sombras e decidem quais delas devem ser projetadas para manter os homens de costas para a realidade.
O Brasil de hoje é exemplar no entendimento destes três papéis. A população brasileira, em sua maior parte está de costas para a realidade,olhando fixamente para as sombras, até porque a escolaridade da maioria dificulta o entendimento de sua condição de prisioneiros da caverna ideológica na qual se encontram. Do outro lado, muitos mandatários do poder público apregoam, em alto, verborrágico e ruidoso som, que as sombras são a realidade última, enquanto que parte da imprensa tenta nos acordar.
Não estou querendo santificar a imprensa que,muitas vezes, também manipula a sombra ou está a serviço do mandatário de plantão. Só que ela tende muito mais, em função de seu papel e diversidade, amostrar a fatos reais.
O papel da imprensa incomoda muito, que o diga Hugo Chaves, Cristina Kirchner e seus pares no Brasil, e por isso mesmo ela vem sendo violentamente atacada, por ousar dizer a verdade, mesmo que seja o óbvio ululante. Mas eu me questiono até que ponto a população brasileira acredita na ilusão da sombra ou chegou a um ponto de anomia social, tal que tanto faz a realidade ou as sombras, afinal um país que pode eleger Tiririca como deputado federal mais votado, mesmo ele afirmando que não sabe o que um deputado faz,mostra quão confusa está a fronteira entre a realidade e a ficção.
Tiririca pode não saber muito, mas até ele sabe o que muitos deputados fazem, se vendendo e não querendo que ninguém saiba.Sendo eleito, ele vai descobrir que muitos de nossos parlamentares fazem parte de uma elite que representa a nova evolução da humanidade, afinal saímos do australopitecos, para o homo erectus, em seguida para homo sapiens, depois para o homo tecnologicus, e agora, o cume da pirâmide evolutiva homensalão.
Elegendo um palhaço como deputado talvez estejamos assumindo a condição de nosso congresso: um circo! Mas enganam-se os que pensam que nesse circo os palhaços são os congressistas. Eles na verdade estão na platéia, assistindo tudo de camarote, com seus salários e mordomias pagas às custas do verdadeiro palhaço que se encontra no picadeiro, o eleitor brasileiro.
Por isso a imprensa deve ser calada. Afinal, saber disso é muito triste,é melhor acreditar nas sombras.
Por: Rossandro Klinjey

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