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Allan Kardec

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Acautelemo-nos contra o escalracho das práticas estranhas no centro espírita

 Boa-tarde! queridos irmãos.



Sabemos de sobejo que devemos respeitar crenças, preconceitos, pontos de vista e normas de quaisquer pessoas que não lêem pela nossa cartilha doutrinária. Porém, temos deveres intransferíveis para com a Doutrina Espírita. É mister que lhe preservemos os princípios doutrinários com simplicidade e dedicação, sem intolerância, sem radicalismos, mas sem concessões indesejáveis. A orientação, a experiência e a prática dos médiuns mais amadurecidos, como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, entre outros, têm nos demonstrado, sempre, a necessidade da vigilância com relação à preservação da pureza dos preceitos básicos da Doutrina Espírita.

 Observamos, atônitos, as muitas discussões estéreis em torno de temas como: crianças índigo; se Chico é Kardec (?); ubaldismos, ramatisismos, cromoterapias e tantos outros enfadonhos “ismos” e “pias”, infiltrados no meio espírita. Aceita-se o poder curador de cristais, sem a menor reflexão consciente. Confiam, cegamente, nos efeitos das pomadas “mediunizadas”, como se essa prática enganosa lhes fosse trazer algum benefício. Promovem-se, nas tribunas, verdadeiros shows da própria imagem, shows esses protagonizados pelos ilustres oradores, que não abrem mão da vaidosa distinção do “doutor” antes dos próprios nomes. Criam-se associações com notáveis profissionais de pretensos “espíritas”. Muitos outros se projetam nos trabalhos assistenciais para galgarem espaços na ribalta da política partidária. Não é de hoje o fenômeno das práticas exóticas nas hostes doutrinárias, fato esse que faz, realmente, a diferença. 

 Segundo algumas conveniências, propiciam as famosas “churrascadas espíritas”, disfarçadas de almoço fraterno, em nome do Cristo (!?), pasmem! Confeccionam rifas “beneficentes”; agendam desfiles de moda, “de caráter filantrópico”, e, o que é pior, cobram taxas para o ingresso nos eventos espíritas, quais sejam: congressos, simpósios, seminários e por aí vai...  

Há um impulso incontrolável para o universo místico de muitos idólatras, que, talvez, leram alguma “coisinha” aqui, e outra ali, sobre a doutrina espírita e se dizem seguidores convictos, quando, na realidade, nada mais são do que “espíritas de fachada”. Os Benfeitores nos advertem que cabe a nós a obrigação intransferível de defender os ensinamentos de Allan Kardec, seja pelo exemplo diário do amor fraterno, seja pela coragem do debate elevado.

 Muitas pessoas têm escrito para o meu e-mail, insistindo no tema − apometria.  Informo-lhes, freqüentemente, que a teoria e a prática da técnica apométrica (e suas leis) estão em pleno desacordo com os princípios doutrinários codificados por Allan Kardec. Jamais aconselharíamos incluir a apometria no corpo do Departamento Doutrinário e Mediúnico das Casas Espíritas. 

 Sobre essa estranhíssima prática, lamentavelmente, encruada por estas bandas do Centro-Oeste, indagamos aos experts por que os Espíritos não nos revelaram tal proposta “terapêutica” (!), quando tiveram, à sua disposição, excelentes colaboradores médiuns, ao longo do século XX? Não basta se afirmar “espírita”, nem, tampouco, se dizer “médium de qualidade”, se essa prática não for exercida conforme preceitua a Codificação Espírita. Respaldados nos estudos sistemáticos que fazemos da Doutrina Espírita − e não dispensamos, de forma alguma, esse hábito − esclarecemos, sempre, que a apometria não é Espiritismo, porquanto as suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de ”O Livro dos Médiuns”. Com essas bizarras práticas, abrem-se precedentes graves para a implantação de rituais e maneirismos totalmente inaceitáveis na prática espírita, que é, fundamentalmente, a doutrina da fé raciocinada.

 Se a apometria é (como afirmam os cansativos discursos dos líderes dessa prática) mais eficiente que a reunião de desobsessão, por que a omissão dos Espíritos Superiores? Por que eles se calaram sobre o assunto? Curioso isso, não? No mínimo, é esquisito. O silêncio dos Espíritos Superiores é, sem dúvida, um presságio de que tal prática é de mau agouro e, por isso mesmo, ela é circunscrita a poucos grupos. Não conquistou a aceitação universal dos Espíritos, razão pela qual não conta com a anuência das nossas Casas Espíritas sérias. Percebemos que essas mistificações coletivas superlotam alguns Centros Espíritas, em que seus dirigentes vendem a ilusão da “terapia apométrica”, como mestres da hipnose, fazendo com que esses centros se tornem um reduto de fanáticos e curadores de coisa nenhuma, o que é lastimável.

                Jorge Hessen                                

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